
Em meio à possibilidade de uma eleição indireta no Rio Grande do
Norte, o pré-candidato ao Governo do Estado Álvaro Dias (Republicanos)
avaliou que o cenário ideal seria a escolha de um nome de consenso para
assumir um eventual mandato tampão, embora reconheça que esse
entendimento é difícil diante da atual polarização política.
Em entrevista concedida ao Diário do RN, Álvaro defendeu que, caso se
confirme a necessidade de uma eleição indireta, o Estado deveria ser
conduzido por um perfil técnico, sem compromissos políticos imediatos.
Para ele, esse seria o caminho mais adequado para enfrentar o momento
delicado das finanças e da gestão estadual.
“O mandato tampão, na minha ótica, deve ser assumido por um técnico,
uma pessoa que possa assumir sem maiores compromissos políticos, para
começar a tomar as medidas duras, difíceis, que o Estado deve tomar para
reencontrar os caminhos do desenvolvimento e do progresso perdidos no
atual governo da professora Fátima Bezerra”, afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de esse nome reunir apoio de todos
os grupos políticos, inclusive da esquerda, Álvaro destacou que esse
seria o cenário ideal, justamente para viabilizar decisões impopulares,
mas necessárias. “Eu acho que era o ideal, um nome de consenso, um nome
que pudesse realmente, com apoio de todos, tomar medidas impopulares,
medidas duras, para que o Estado possa então começar a se preparar para
depois da eleição o novo governador realmente dar continuidade a essas
medidas”, disse.
Apesar disso, o pré-candidato ponderou que a chance de entendimento
amplo é pequena. Segundo ele, a forte polarização nacional tem reflexos
no Rio Grande do Norte e pode impedir o entendimento. “A discussão sobre
o nome vai ser tomada entre direita e esquerda. Acho difícil se
entenderem. A eleição está muito polarizada a nível nacional e essa
polarização está refletindo aqui no estado”, avaliou.
Álvaro também afastou a possibilidade de apoio ao nome eventualmente
indicado pela governadora Fátima Bezerra. Na visão dele, a tendência é
que a direita apresente um nome próprio, buscando diálogo com o maior
número possível de lideranças.
“O nome técnico deverá ser apresentado pelo nosso grupo político. Nós
vamos procurar dialogar, conversar com o maior número de lideranças
possível, para que essa pessoa que venha assumir interinamente o governo
possa ter um apoio consistente, relevante, para iniciar essas medidas
impopulares que são necessárias”, afirmou.
Em entrevistas anteriores, o líder do grupo integrado por Álvaro,
Rogério Marinho (PL), apontou como as chamadas “medidas impopulares”
para o novo governador, a privatização da Caern, a federalização da
UERN, fim do aumento real de salário para servidores e um Plano de
Demissão Voluntária para os trabalhadores do Estado.
O grupo também inclui Styvenson Valentim (PSDB), Paulinho Freire (UB)
e deve ter oficializada aliança com Ezequiel Ferreira (PSDB), que pode
assumir o Republicanos. Ezequiel Ferreira deve ser o elo decisivo para
as definições do candidato e dos votos para a eventual eleição indireta,
que deve acontecer caso a governadora Fatima Bezerra (PT) decida pela
renúncia para concorrer ao Senado Federal.
Até agora, os três grupos presentes na Assembleia Legislativa
conversam entre si para avaliar a possibilidade de acordo. Por enquanto,
o único grupo que apresenta candidato é a esquerda, diante do projeto
político do PT nacional de ampliar a bancada no Senado, incluindo
Fátima. A governadora tenta emplacar Cadu Xavier, que já é o
pré-candidato do sistema governista nas eleições de outubro.
O centro está até agora dividido entre apoiar a cadeira do Executivo,
em caso de dupla vacância, nas mãos do PT, ou apresentar nome próprio.
Já a direita, segundo Álvaro Dias, deve seguir projeto próprio.