Apuração
dos desfiles do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo ocorreu na
tarde desta terça-feira (17/2), no Sambódromo do Anhembi

A Mocidade Alegre consagrou-se campeã do Grupo Especial do Carnaval paulistano de 2026, após apuração realizada na tarde desta terça-feira (17/2) no Sambódromo do Anhembi, na zona norte de São Paulo.
A escola liderou a apuração de ponta a ponta e venceu com 269,8 pontos, perdendo 0,1 apenas em dois quesitos: enredo e harmonia.
A Mocidade Alegre chegou ao 13º título de sua história ao levar para o Anhembi o samba-enredo “Malunga Léa, Rapsódia de uma Deusa Negra”, inspirado na atriz Léa Garcia. A última vez em que terminou na primeira colocação foi em 2024.
A homenageada pela “Morada do Samba” rompeu as barreiras do racismo e conquistou reconhecimento internacional ainda nos anos 1950, por sua participação no premiado filme Orfeu Negro,
vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 1957. Além de se
destacar no cinema e no teatro, fez também uma longa carreira na
televisão, participando de novelas de sucesso, como A Escrava Isaura.
Terceira escola a entrar na avenida na segunda noite de desfiles, a
Mocidade levantou a arquibancada com refrão forte e bateria afiada.
A bateria comandada por Mestre Sombra criou longas
paradinhas e outras bossas que permitiram que as vozes dos integrantes
da escola se sobressaíssem em meio à apresentação musical. Em conversa
com a reportagem do Metrópoles na quinta-feira (12/2), ele já havia dado a dica de que botaria o povo para cantar na avenida.
O coral da Mocidade ganhou força principalmente no “lerê, lerê”, em
alusão à novela A Escrava Isaura, e também “ô, malunga ê”. Malunga é um
termo bantu que significa companheira, amiga.
No momento em que os músicos entraram no recuo, a rainha de bateria Aline Oliveira agitou um bandeirão em meio aos ritmistas e levantou a arquibancada. Ela é um dos símbolos da escola, tendo começado a frequentar a quadra da Mocidade ainda na infância.
Conhecida por saber como poucas desfilar com o regulamento debaixo do
braço, perdendo poucos pontos, a Mocidade emocionou o Anhembi e fez uma
apresentação para muito além da técnica. Agora, está mais próxima ainda
da Vai-Vai, que segue como a maior campeã do Carnaval paulistano, com 15 títulos.
A apuração
Em sorteio realizado na tarde de segunda (16/2), o quesito Fantasia foi definido como critério de desempate, depois do número total de pontos e da inclusão das notas descartadas.
Apenas a Rosas de Ouro e a Camisa Verde e Branco
começaram a apuração com punições e perda de décimos. A campeã de 2025,
Rosas de Ouro, perdeu cinco décimos por não entregar as pastas aos
jurados dentro do prazo estipulado. Já a segunda agremiação foi a única a
estourar o tempo máximo de desfile (1h05min59) e, por isso, perderá 2
décimos.
Na primeira noite desfilaram Mocidade Unida da Mooca, Colorado do
Brás, Barroca Zona Sul, Dragões da Real, Acadêmicos do Tatuapé, Rosas de
Ouro, Vai-Vai e Barroca Zona Sul.
Confira abaixo a classificação geral:
- Mocidade Alegre – 269,8
- Gaviões da Fiel – 269,7
- Dragões da Real – 269,6
- Acadêmicos do Tatuapé– 269,5
- Barroca Zona Sul – 269,4
- Tom Maior – 269,4
- Estrela do Terceiro Milênio – 269,1
- Mocidade Unida da Mooca – 269
- Império da Casa Verde – 268,9
- Camisa Verde e Branco– 268,8
- Colorado do Brás – 268,7
- Vai-Vai– 268,6
- Rosas de Ouro – 268,4
- Águia de Ouro – 268,2
Já na segunda noite, passaram pelo Anhembi Império de Casa Verde, Águia
de Ouro, Mocidade Alegre, Gaviões da Fiel, Estrela do Terceiro Milênio,
Tom Maior e Camisa Verde e Branco.
Como é feito o julgamento
Cada um dos nove quesitos
conta com quatro jurados, que ficam em pontos diferentes do sambódromo
e, por isso, flagram momentos distintos do desfile de cada uma das
escolas. Por esse motivo, muitas vezes, as notas atribuídas são divergentes.
Os jurados seguem um manual que detalha como deve ser feita a
avaliação e atribuem notas de 8 a 10, divididas em décimos. A menor nota
atribuída em cada um dos quesitos é descartada.
O quesito Fantasia, que foi usado neste ano como critério de
desempate, faz parte do Módulo Visual, ao lado de Enredo e Alegoria.
Para definir a pontuação,
os jurados recebem uma pasta com fotografias das fantasias de cada ala e
verificam se o que é apresentado na avenida corresponde ao que foi
proposto.
Caso falte qualquer elemento (chapéu, colar, cinto, etc.), o jurado desconta décimos da nota final. A inclusão de itens que não estavam previstos também é passível de punição.
Para avaliar, os jurados observam também se o material descrito na
pasta corresponde ao que foi aplicado na indumentária. Ou seja, se estão
previstas plumas ou penas naturais, o componente não pode estar vestido
com um item artificial.
Com relação ao acabamento, a escola é punida se as fantasias estiverem rasgadas, quebradas ou com algum outro tipo de dano.
A punição é aplicada conforme a quantidade de indivíduos que estão em
desacordo com o previsto. Por exemplo, se de quatro a oito componentes
apresentam falha de uniformidade ou acabamento em suas fantasias ao
longo do desfile, a escola perde 1 décimo; de 9 a 13, 2 décimos; e assim
por diante, até a perda de 5 décimos caso 24 ou mais componentes tenham
problemas nas fantasias.
Repetição de elementos e materiais, de forma injustificada, em várias
alas também leva à perda de décimos preciosos na apuração, entre outras
situações.
Veja a ordem de leitura das notas
- Evolução
- Samba-Enredo
- Bateria
- Enredo
- Mestre-Sala e Porta-Bandeira
- Alegoria
- Comissão de frente
- Harmonia
- Fantasia