
Fotos: reprodução redes sociais | Rodrigo Poncinelli
A poucos meses do início formal do período eleitoral, prefeitos que
se tornaram alvos, diretos ou indiretos, de investigações na Justiça
adotaram no discurso de “perseguição” na véspera das disputas aos
governos estaduais como forma de alavancar as pré-campanhas.
O Metrópoles contabilizou ao menos três cidades em que chefes do
Executivo adotaram a mesma estratégia e são pré-candidatos: Mossoró
(RN), Macapá (AP) e Manaus (AM). O posicionamento é amplificado pela
forte presença digital e pelo discurso de serem alvos por se tratarem de
“outsiders” da política tradicional.
Mossoró
No fim de janeiro, a Polícia Federal cumpriu 35 mandados de busca e
apreensão em uma operação que mira desvios de emendas para a saúde no
interior do Rio Grande do Norte, dentre os alvos estava o prefeito de
Mossoró (RN), Allyson Bezerra (União Brasil). Allyson formalizou o
anúncio da sua pré-candidatura ao governo do estado cerca de 10 dias
depois de ter sido alvo da Polícia Federal.
Após as buscas, Bezerra disse em publicação no Instagram, aos seus
360 mil seguidores, que estava “em paz” e insinuou ser alvo de
perseguição política por estar à frente das pesquisas no RN.
“É um processo lá de 2023, só que agora, em janeiro de 2026, ano
eleitoral, ano em que o nosso nome, de maneira espontânea pelo povo do
Rio Grande do Norte, desponta em primeiríssimo lugar do governo do
Estado, foi que o nosso nome foi citado e está havendo essa investigação
e a presença da Polícia Federal em minha casa”, declarou.
Principais datas do período eleitoral
- Janela partidária: de 5 de março a 3 de abril;
- Registro de estatutos, definição do domicílio eleitoral dos postulantes e descompatibilização: 4 de abril
- Vedações nas emissoras: 30 de junho
- Disponibilização do fundão eleitoral: 1º de junho
- Início da propaganda eleitoral: 16 de agosto
- Primeiro turno: 4 de outubro
- Segundo turno: 25 de outubro
Manaus
A 4.380 quilômetros de distância, o prefeito de Manaus, David Almeida
(Avante), adotou uma postura semelhante. A pré-candidatura ao governo
do Amazonas foi anunciada em 23 de fevereiro, dias depois da Polícia
Civil prender uma ex-chefe de gabinete dele na operação contra o “núcleo
político” do Comando Vermelho.
Durante o lançamento da pré-campanha, o prefeito disse que foi
“ameaçado” pelo senador, ex-aliado e pré-candidato ao governo do
Amazonas Omar Aziz (PSD). Aliados de David Almeida, agora, acusa o
adversário de ser o responsável pela prisão.
Nas redes sociais, ao anunciar sua entrada na corrida eleitoral pelo
Palácio Rio Negro, Almeida disse que não vai se “render aos ataques dos
poderosos” e que “muitas perseguições virão” aos seus 358 mil
seguidores.
Macapá
Na última semana foi a vez do prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD),
formalizar a sua pré-candidatura ao governo do Amapá depois de se ver
envolvido em polêmica. O chefe do Executivo foi afastado por decisão do
Supremo Tribunal Federal (STF).
Além de Furlan, vice-prefeito Mario Neto também foi afastado na
segunda fase da Operação Paroxismo, deflagrada pela Polícia Federal, que
investiga um fraude na licitação, desvio de recursos públicos e lavagem
de dinheiro na construção do Hospital Geral Municipal de Macapá.
Em publicação nas redes sociais, Furlan disse que a decisão judicial
não vai “contra” ele, mas “contra a vontade do povo de Macapá”.
Acrescentou em seguida a intenção de ser candidato ao governo do estado.
“Diante disso, quero aqui reafirmar que sou pré-candidato ao governo do
Amapá para construir um futuro melhor (…) conto com o apoio de todos.”
No dia seguinte, o então prefeito afastado se antecipou ao período de
descompatibilização e renunciou ao cargo para concorrer contra o atual
governador, Clécio Luís (União Brasil).
Em carta endereçada ao presidente da Câmara Municipal, Furlan disse
que sua decisão “está pautada num anseio público, que vem sendo
materializado em inúmeras pesquisas de intenção de voto, que anseiam a
minha candidatura ao cargo de Governador do Estado do Amapá”.
Aliados do prefeito organizaram atos na capital contra a operação e o
afastamento de Furlan. As manifestações também foram publicizadas pelo
prefeito nas redes sociais.
Metrópoles