As semifinais da Copa do Brasil começam nesta quarta-feira com os confrontos entre Fluminense e Corinthians, no Maracanã, e São Paulo e Flamengo, no Morumbi.
Cinco anos após uma mudança na premiação, o
torneio se consolidou como o mais rentável do futebol brasileiro, e tem
despertado o interesse dos clubes pelo montante de dinheiro de suas
cotas a cada fase vencida. O clube que for campeão vai receber R$ 60
milhões.
O Brasileirão, após suas 38 rodadas, em comparação, paga ao
vencedor R$ 33 milhões, quase metade.
A mudança de patamar ocorreu na temporada 2018. A partir daquela edição,
o prêmio de campeão saltou de R$ 5 milhões para R$ 50 milhões.
Além
disso, os valores têm tido reajustes anuais. Os clubes também recebem
suas cotas assim que as etapas são superadas, reforçando seus caixas
durante a disputa e não somente ao fim dela.
Especialista em geração de receitas na indústria esportiva, Armênio
Neto explica o motivo de o torneio ser considerado um produto mais bem
acabado e completo para os patrocinadores.
"Claro que o Brasileirão tem o
seu valor, mas são produtos diferentes, desde o formato da competição,
frequência de partidas, abrangência e até mesmo a forma como foram
concebidos e geridos comercialmente.
Quando uma empresa patrocina a Copa
do Brasil, ela se faz presente em todas as propriedades, inclusive com
realização de ativações e hospitalidade nas principais partidas. Já no
Brasileirão é um modelo híbrido, porque os clubes fazem a gestão dos
seus jogos, focados em seus próprios patrocinadores."
Outro
fator diferencial na Copa do Brasil, na visão de dirigentes, é o fato
de ser o mais democrático do País, uma vez que há equipes de diferentes
divisões ou competições regionais.
Júnior
Chávare, dirigente de futebol que trabalhou no Atlético-MG, São Paulo e
Grêmio, ressalta o valor da competição para os clubes. "Além da
premiação, que é muito significativa, existe a possibilidade de ter um
caminho mais curto para a Libertadores.
Ou seja, essa somatória de
democratização no futebol junto com as possibilidades reais que cada
clube passa a ter pelos enfrentamentos diretos e as questões financeiras
são fatores preponderantes para que esse torneio seja de alta
relevância aos clubes", explicou. A Copa do Brasil dá vaga para a Copa
Libertadores.
Para as equipes de divisões
inferiores e sem o mesmo poderio financeiro que os considerados gigantes
do futebol brasileiro, a participação na Copa do Brasil pode fazer uma
diferença brutal no planejamento da temporada.
Nos
últimos anos, os clubes menores, sem tantas condições de investimentos,
aproveitaram o dinheiro arrecadado com as classificações nas fases
preliminares da Copa do Brasil para investir na estrutura. Em 2020, o
Afogados eliminou o Atlético-MG nos pênaltis e garantiu uma premiação de
quase R$ 3 milhões, dinheiro que não ganharia em qualquer outra
disputa. O time aproveitou o valor para construir um novo Centro de
Treinamento, dando um passo à frente em sua estrutura.
Outro
exemplo é o Juazeirense, que comprou um ônibus e começou a construir
seu CT ao passar por três fases. Em 2021, a equipe baiana arrecadou R$
5,9 milhões em prêmios e parou nas oitavas de finais, após eliminar
Sport, Volta Redonda e Cruzeiro.
Estadão Conteúdo
Nenhum comentário:
Postar um comentário