Por enquanto, ele está na UTI e respira por meio de aparelhos
Dê-se Bolsonaro por feliz se não for preso, tantos são os processos que responde no Supremo Tribunal Federal, Tribunal Superior Eleitoral e, em breve, no Tribunal de Contas da União. E dê-se por feliz porque seu atual partido, o PL, ainda está disposto a pagar os advogados que o defendem. Será assim por muito tempo?
A ver. A ver também se ficará em apenas
oito anos o período de inelegibilidade de Bolsonaro. Nesta segunda-feira
(3), ele disse que “não morreu ainda”, que está na UTI e que “não é
justo alguém querer dividir” seu espólio eleitoral acumulado em mais de
30 anos de vida pública. A divisão é inevitável.
O Tribunal de Contas da União deverá abrir
um novo processo contra Bolsonaro a partir da decisão do Tribunal
Superior Eleitoral que considerou ter havido abuso de poder político e
uso indevido dos meios de comunicação na reunião com embaixadores,
ocorrida em 2022, em que Bolsonaro desacreditou as urnas eletrônicas.
A Lei da Ficha Limpa determina que gestores
públicos que tiverem as contas reprovadas por irregularidade que
configure ato doloso de improbidade ficam os oito anos seguintes da
decisão impedidos de disputar eleições. Se condenado nesse caso,
Bolsonaro ganhará mais alguns aninhos de inelegibilidade. E assim por
diante.
Outro dia, Bolsonaro afirmou que será salvo
porque guarda uma “bala de prata”. Perguntado, ontem, sobre qual seria a
bala, respondeu que não vê ninguém com conhecimento suficiente do país
para substitui-lo como candidato a presidente em 2026. É o que ele
pensa, mas não o que pensam os outros.
Citou os governadores Tarcísio de Freitas
(Republicanos-SP) e Romeu Zema (Novo-MG) como nomes que carecem de
condições para substituí-lo. Sobre Zema, comentou:
“Eu não vou dar conselho para o Zema,
mas quem queimar largada agora vai levar tiro de bazuca no lombo. Então
vai com calma. Tem tempo ainda. 2026 passa por 2024”.
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Como não deixa passar uma oportunidade de
mentir, Bolsonaro garantiu que não foi seu pessoal “que fez o
quebra-quebra” em 8 de janeiro último na Praça dos Três Poderes, em
Brasília, em mais uma tentativa fracassada de golpe. Foi pessoal de
quem? Seus devotos fiéis sugerem que foram “infiltrados de esquerda”.
Ou seja: embora ninguém de esquerda tenha
sido preso em meio à baderna: embora ninguém de esquerda tenha sido
preso quando o Exército permitiu a prisão dos baderneiros acampados à
porta do seu QG; e embora à esquerda não interessasse derrubar um
governo de esquerda, o golpe de 8 de janeiro foi de esquerda.
Dá para acreditar? Bolsonaro não espera que
a maioria dos brasileiros acredite. Basta que seus seguidores, em
número decrescente, acreditem. E que, pelo menos, continuem acreditando
até que aconteça um milagre capaz de reabilitá-lo a tempo de voltar a
disputar eleições – em 2026, 2030 ou 2034, quem sabe?
O fim de linha chegou para Bolsonaro, só
ele finge que não vê. Político sem perspectiva real de poder, pouco ou
nada vale. E, de novo: agradeça a Deus e dê-se por feliz se não acabar
preso.
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