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domingo, 27 de agosto de 2023

ABC volta a campo em busca da melhora no desempenho

Os números e a campanha do clube apontam para um verdadeiro desastre dentro da Série B, mas o treinador Allan Aal vem mostrando em suas entrevistas que enquanto houver meios para lutar, existe esperança de salvamento. É com esse discurso que o comandante abecedista vem buscando animar os seus atletas a não desistirem do objetivo que é livrar o clube do rebaixamento, mesmo que pouquíssima coisa tenha dado certo até o presente momento. O ABC volta a campo nesta segunda-feira (28) para encarar o Botafogo-SP, no estádio Santa Cruz, em Ribeirão Preto, no confronto que fechará a 25ª rodada.

Com péssimo aproveitamento tanto como mandante, quanto como visitante, onde conseguiu amealhar apenas duas vitórias em 24 rodadas, a equipe alvinegra vai entrar em campo com o maior risco de rebaixamento entre os clubes que estão na luta pela permanência na divisão dos clubes emergentes, ele aparece com 98.3% de risco de rebaixamento.

Embora o campo das probabilidades a matemática não seja uma grandeza tão exata, pois varia de acordo com os resultados a cada nova rodada, a situação do Alvinegro hoje já é pior que a do Fluminense, em 2009. Nesta mesma altura daquele ano histórico para o mundo do futebol, o time carioca já batia a marca dos 21 pontos, enquanto o ABC possui apenas 14.

Allan Aal reconhece estar vivendo no clube potiguar o pior período da carreira como treinador, onde em três meses de trabalho e 17 jogos a frente da equipe, conseguiu acumular 2 vitórias, 8 derrotas e sete empates, porém salienta que sente ainda poder extrair coisas boas do elenco, tendo em vista algumas boas atuações que o time realizou, mesmo com o resultado das partidas não tendo sido favoráveis.

“Se a diretoria achar por bem e que a solução das questões para que as coisas comecem a acontecer seja a minha saída, eu tenho um respeito. Tenho um bom tempo como profissional dentro do futebol e a gente sabe que a tomada de decisão mais fácil será sempre abrir mão do treinador. Agora eu sei o que posso fazer e foi isso que me deu condição de estar no ABC, mas muitas vezes as coisas fogem do controle do treinador, porém a responsabilidade maior sempre será minha. Digo sempre isso aos atletas”, afirmou.
 
Entrevista com Ricardo Furtado
Vice-presidente Administrativo do ABC
 
 
 
O advogado Ricardo Furtado, que auxilia Bira Marques na administração do ABC, em entrevista ao programa Tribuna Esportes, na JP NEWS, falou sobre o futuro do clube ao aderir a Libra, dos projetos para modernização do futebol e também de como ficará o Alvinegro em caso de rebaixamento para Série C.

O que levou o ABC a optar pela Libra?
“A Libra foi quem primeiro nos procurou, ela é basicamente a matriz dessas duas ligas e desde o início ela apresentou um indicador que era muito importante para o ABC. O investidor sempre esteve presente nas reuniões da Libra, a relação entre o investidor e os integrantes do grupo sempre foi muito forte e isso nos deu segurança para aderir a um contrato que, em princípio, pode durar 50 anos. Outra questão que pesou é que a organização conseguiu reunir de fato, os clubes mais representativos do Brasil. Essa representatividade para a gente significa muito porque os maiores interesses vão girar em torno dela, em relação aos interesses de transmissão.”

O que mais teve peso nessa decisão?
“A Libra coloca à disposição um determinado valor de adiantamento, a proposta oferecida gira em torno de R$ 3 milhões. O investidor da Liga Forte, neste caso, exige uma garantia real para realizar esse tipo de adiantamento e o ABC não queria colocar um bem neste negócio. Por parte da Libra a garantia são apenas os próprios créditos advindos das transmissões das partidas. Você também não é obrigado a lançar mão desse tipo de empréstimo, mas quem quiser pode abater as parcelas dos créditos com a vendas das transmissões dos jogos”

Como ficará o ABC caso o rebaixamento se confirme?
“Caso o ABC seja rebaixado, ocorrerá uma influência imediata neste processo junto a Libra, porque o grupo ele monta o seu negócio levando em consideração os clubes das Série A e B. No momento que um clube deixa esses dois grupos, é realizada uma espécie de revisão contratual, que serve como uma espécie de licenciamento. Mas no momento que um clube rebaixado retorna para a Série B, o contrato já assinado passa a valer automaticamente. Por isso, no caso do ABC essa situação não pesou em nada nos termos da adesão, porque o interesse deles no momento é formar o maior grupo possível de filiados. Estamos tratando de um projeto inicial que não sabemos como será moldado após uns cinco anos. Pode ser que ele se estenda e comece a atingir as demais divisões do futebol nacional”

O clube já vem se preparando para ser SAF?
“Existe um comitê que vem discutindo SAF desde o ano passado. Nós já recebemos algumas propostas neste sentido, sendo que uma que chegou ao conhecimento do presidente do clube Bira Marques foi considerada uma oferta bastante razoável. Basta salientar que os valores são maiores dos que já foram anunciados pelo nosso adversário. Já consultamos alguns escritórios de São Paulo, que estão mais próximos dos investidores e apresentamos a ideia que temos para o ABC, nós não queremos vender o nosso futebol, queremos encontrar parceiros dispostos a investir dentro de um modelo de exploração da área que possuímos. Na proposta que estamos formulando, o ABC terá um maior poder de negociação, como do ponto de vista financeiro a situação deu uma boa melhorada, hoje não necessitamos mais ir ao mercado buscar desesperado um parceiro.”

O passivo do clube é uma temeridade nesse tipo de transação?
“As dívidas que o ABC possui, principalmente as de causa trabalhista, não atrapalham a negociação porque da forma como está disposta e levando em consideração os valores aplicados numa SAF, elas são consideradas insignificantes. Em relação ao que tínhamos em 2020, já conseguimos andar e liquidar bastante coisa.”

Após alguns anos fora da Série B, o que mais chamou a atenção neste retorno?
“Quando Bira Marques começou a tratar da formação da equipe para Série B, me disse que estava impressionado com o patamar mínimo do salário dos atletas que estavam interessados em atuar pelo clube. Ele foi muito responsável nas negociações, pois disse que não abriria mão do projeto que foi traçado no início da gestão: que era reequilibrar o ABC. Ele poderia trabalhar para manter o clube na Série B, mas optou trabalhar de forma organizada e responsável para que no futuro o clube não venha a sofrer mais com os sobressaltos financeiros”.

Onde a diretoria errou no preparo para o Brasileirão?
“Se podemos falar de erros, caso o rebaixamento se concretize, foi uma espécie de falta de preparo devido ao tempo em que o ABC ficou longe da Série B, em torno de cinco ou seis anos. Neste tempo, o patamar da competição se modificou muito, o patamar financeiro atual é bastante razoável e Bira não aceitou pagar as pedidas muito altas, para tentar diluir as dívidas lá na frente e arriscar fazer a bola de neve das dívidas crescerem novamente. Nós usamos essa mesma filosofia na Série C, pois estamos buscando a construção de um ABC diferente.”

As contas da péssima Série B preocupam para 2024?
“Caso não tenhamos sucesso no projeto de permanência na Série B, talvez essa seja a primeira vez que não teremos aquele cenário de terra arrasada após a queda. Nossa maior preocupação sempre foi administrar a dívida que tínhamos e não deixar ela crescer, em 2020 a dívida deixava um cenário assustador para qualquer dirigente que desejasse assumir o ABC, porque não existia um caminho definido para adotar e nem sabíamos com que tipo de receita iríamos combater aquele bolo. As situações restantes além de direcionadas, há uma perspectiva que daqui para o final do ano, a gente consiga liquidar toda a dívida de execução trabalhista que ainda existe. Atualmente nós também não sofremos mais riscos de bloqueios de verbas”

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