
Foto: Pedro Kirilos/Estadão
Luiz Inácio Lula da Silva se tornouo
presidente que mais liberou emendas parlamentares em um único mês na
história. O recorde foi batido em julho, quando o governo destinou R$
11,8 bilhões para Estados e municípiospor indicação de deputados e senadores.
Em nenhum período
anterior houve uma liberação nesse montante em 30 dias, conforme
levantamento da Associação Contas Abertas com dados do Siga Brasil,
sistema do Senado Federal, ao qual o Estadão teve acesso. O governo é
obrigado a destinar os recursos obedecendo a escolha do parlamentar, mas
o momento da liberação fica sob controle do Executivo.
No mesmo mês em que
bateu o recorde de emendas, o Executivo bloqueou recursos da educação
básica, da alfabetização de crianças, do Auxílio Gás e da Farmácia
Popular, como revelou o Estadão. Ou seja, blindou o dinheiro de maior
interesse dos parlamentares e cortou em outras áreas.
O que explica o
valor recorde? As emendas crescem ano a ano. Por trás da liberação
bilionária, está uma fatura da Proposta de Emenda à Constituição (PEC)
da Transição, aprovada em dezembro, antes de Lula tomar posse, mas
negociada pela equipe do petista na transição. Com a extinção
do orçamento secreto pelo Supremo Tribunal Federal (STF), parte do
dinheiro turbinou as emendas individuais, aquelas indicadas por cada
deputado e senador.
A manobra provocou o
aumento de outro tipo de recurso, ainda mais nebuloso, as emendas Pix.
De toda a liberação que ocorreu em julho, R$ 6,4 bilhões dizem respeito a
esse tipo de transferência, destinados durante a votação da reforma
tributária na Câmara.
O dinheiro da emenda
Pix não fica carimbado para nenhuma despesa específica e não há
fiscalização nem prestação de contas. Na prática, a sociedade brasileira
não sabe onde vai ser gasta a maior parte das emendas liberadas pelo
Poder Executivo no último mês e o dinheiro é aplicado sem justificativa
técnica.O prefeito, por exemplo, pode usar o dinheiro para construir uma praça sendo que a cidade precisa de escola.Além disso, vários parlamentares privilegiam prefeitos do mesmo partido e parentes.
Durante a campanha, Lula atacou frequentemente o orçamento secreto criado pelo governo Bolsonaro e a falta de transparência no encaminhamento do dinheiro a parlamentares. Mesmo depois de eleito, Lula chegou a afirmar que emendas não deveriam ser “secretas”. “Todo mundo sabe o que eu penso de emenda parlamentar. Eu fui deputado constituinte e eu sempre achei a emenda do deputado é importante, o que não precisa é ser secreta”, afirmou em dezembro, durante coletiva em que anunciou os primeiros ministros que ocupariam cargos em seu governo.
Estadão Conteúdo
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