
O Alecrim completou, nesta segunda-feira (23), 112 anos de história como um bairro promotor do desenvolvimento econômico, social e cultural da capital potiguar. Atualmente, segundo dados da Associação dos Empresários do Bairro do Alecrim (AEBA), o bairro gera em torno de 20 milempregos diretos e abriga cerca de 28 mil moradores. Embora tenha destaque comercial, na avaliação de quem mora no Alecrim, há a necessidade de mais opções culturais e melhorias na infraestrutura local.
Apenas no camelódromo, mais de 1.000 comerciantes trabalham diariamente distribuídos em 425 bancas. O número de empresas, por sua vez, não fica para trás. Conforme levantamento realizado pela Junta Comercial do RN (Juncern), de aproximadamente 5.000 empresas alocadas no bairro, 3.600 são formalizadas.
Embora o Alecrim tenha enfrentado alguns desafios ligados a fatores externos, como o aumento do endividamento e os reflexos da alíquota do ICMS, Matheus Feitosa pontua que o local segue atraindo novos empreendimentos e fomentando a economia local. “Temos lojas sendo abertas, reformadas e pessoal investindo no bairro. A gente também está reivindicando a reforma do camelódromo para revitalizar o coração do Alecrim e lutando por questões como estacionamento”, complementa.
O projeto de reforma do Camelódromo do Alecrim foi apresentado pela Aeba em agosto, durante
reunião na Câmara de Natal, junto a representantes da prefeitura e do comércio. O plano prevê, além da ampliação do número de bancas, outros pontos como a readequação do espaço do camelódromo do Alecrim, um local voltado às refeições dos permissionários, estrutura com banheiros e depósitos adequados para lixo e uma área de convivência. Na oportunidade, ficou decidido que a Semsur avaliaria a proposta para realizar o levantamento orçamentário da obra.
Segundo Matheus Feitosa, o projeto detalhado já foi entregue à pasta e a expectativa é que o levantamento orçamentário seja finalizado até o fim deste ano. A obra, por sua vez, deve começar em 2024 e durar cerca de um ano. “A partir de agora, quem tem que executar o projeto é a Prefeitura de Natal, mas a gente solicitou autorização tanto da Prefeitura quanto dos permissionários do camelódromo para participarmos do processo e ajudar a mobilizar forças para que ele acontecça”, complementa.
Para Francisco Diniz, gerente de uma loja do bairro, a reforma é fundamental para melhorar a infraestrutura e a qualidade de vida dos trabalhadores locais. “O Alecrim realmente precisa de uma reforma do camelódromo para ter estacionamento e banheiro público. Os banheiros são muito sujos, quebrados, mas tem como organizar”, complementa. Magnus Alves Batista, por sua vez, também reitera a necessidade do serviço tanto para a infraestrutura de estacionamento quanto para a organização dos camelôs.
Para o presidente da Aeba, Matheus Feitosa, além do comércio e geração de emprego e renda, são as pessoas que formam o principal pilar do Alecrim. Se, por um lado, o espaço abriga inúmeras lojas, por outro, também reúne histórias. “Sem as pessoas que atendem, que vendem, que moram aqui no bairro, a gente não conseguiria fazer isso. Então, além de ter ferramentas e tecnologias, o mais importante são as pessoas que estão aqui hoje e [que estiveram] nesses 112 anos”, destaca.
Moradores
Uma dessas pessoas é o potiguar Marcus
Piu, que parou de trabalhar como vendedor de frutas e verduras há cinco
anos e, desde então, tem andado pelo Nordeste com o objetivo de
reacender a cultura popular do Estado e resgatar elementos do cangaço.
Entre os locais que já passaram por seu roteiro, estão Juazeiro e
Caruaru. O Alecrim, contudo, ganha destaque em sua fala, seja pelo
comércio que se mantém firme, ou pela cultura. “A cultura popular aqui
foi muito forte, você encontrava sanfoneiros, cantadores de viola. A
Laís [Amaro], que hoje é famosa, já encontrei ela aqui cantando com dois
sanfoneiros, e hoje está fazendo muito sucesso”, conta.
O bairro, que já foi abrigo para cinemas populares e espaços como o Teatro Sandoval Wanderley, que ficou 14 anos fechado e deve ser reaberto em novembro, carece de atrações para os moradores. Para a vendedora de uma loja de tecidos do centro comercial e moradora do bairro, Silvania Maria Fernandes de Araújo, a falta de opções de lazer é uma das principais ausências da região.
Vinda de uma família de comerciantes, o contato com o Alecrim e o comércio sempre estiveram presentes. Aos 36 anos, apesar de reconhecer o destaque comercial, também reitera a necessidade de mais incentivos aos moradores. “Para os moradores, [poderia] ter mais lazer e algo para se divertir. Às vezes, no domingo aqui é tão parado”, relata.
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