
O vice-governador do Rio Grande do Norte, Walter Alves (MDB), afirmou nesta segunda-feira que comunicou à governadora Fátima Bezerra (PT) que não assumirá o Executivo estadual em abril, quando ela deixará o posto para disputar o Senado. A decisão de Alves — que articula uma candidatura a deputado estadual — atrapalha os planos de sucessão de Bezerra diante da previsão constitucional de que, neste caso de vácuo na posição, a Assembleia Legislativa deve realizar uma eleição indireta para escolher um “governador-tampão”.
Bezerra apoia o secretário da Fazenda, Cadu Xavier (PT), como sucessor. A possibilidade de escolha da Assembleia por um nome de oposição para o possível “governo tampão”, por outro lado, é vista com preocupação pelo entorno da governadora. O nome escolhido pelos deputados ficaria no posto de governador durante o período de campanha eleitoral, deixando o cargo em janeiro caso não seja reeleito.
Em nota divulgada nesta terça-feira, Alves afirma que cientificou a governadora que a posição do MDB no Rio Grande do Norte é “de caminhar com os partidos Federação União Progressista (União Brasil e PP) e PSD”. Ele afirma que a decisão de apoiar uma chapa de oposição foi tomada após consulta aos correligionários.
Por outro lado, o vice-governador diz que ratificou o posicionamento de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi, e com o presidente nacional do PT, Edinho Silva.
A eleição indireta na Assembleia torna o panorama para a disputa pelo governo em outubro aberta. O que pesa contra Bezerra é a capilaridade do PL na Casa, que deve responder por um terço dos votos no período posterior à saída da governadora. O cenário dificultaria a eleição de um nome apoiado por ela no estado, que é o berço eleitoral do líder da oposição, Rogério Marinho (PL).
A base governista na Assembleia, composta de PT e PV, ocupa seis cadeiras, mesma quantidade do PL. Há, no entanto, a expectativa que a bancada bolsonarista cresça com a janela partidária e se torne a maior da Casa. Já a coligação União Brasil e PP tem três cadeiras, enquanto o PSDB ocupa seis.
‘Governo-tampão’
Uma situação semelhante ocorre no Rio de Janeiro. Com a provável renúncia do governador Cláudio Castro (PL) para disputar o Senado, deve haver uma disputa na Assembleia Legislativa do Estado (Alerj) pelo “governo-tampão”.
O pleito indireto ocorreria pelo fato de o Rio estar desde maio sem um vice-governador, após Thiago Pampolha optar por renunciar o cargo para assumir uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Já o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar — que seria o segundo na sucessão — foi preso neste mês pela Polícia Federal (PF). Ele é suspeito de vazar dados sobre uma operação dos agentes contra o deputado estadual Tiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias.
Bacellar foi posteriormente solto, mas permanece afastado do cargo enquanto durarem as investigações e teve o uso de tornozeleira eletrônica determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Aliados de Castro entendem que o novo presidente da Alerj, Guilherme Delaroli (PL), não poderia assumir o governo por ser interino.
Informações de responsabilidade de O Globo
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